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Meditando a Palavra

E o Senhor cooperava com eles

As leituras apresentam-nos duas versões da Ascensão: A primeira de S. Lucas nos Atos dos Apóstolos, fazendo referência ao seu primeiro livro e dizendo que o terminou com a subida ao céu de Jesus e o envio do Espírito. A segunda, é do final do evangelho de S Marcos. Ambas nos apresentam aquilo que é o fundamental do mistério da Ascensão. Somos convocados a contemplar Cristo glorificado pela Sua ressurreição de entre os mortos, a enviar solenemente em missão a Sua Igreja até aos confins da terra, e a fazer-lhe a promessa do Espírito Santo para que não se sinta entregue a si mesma, mas experimente sempre a presença consoladora e forte de Deus. A Carta de S. Paulo aos Efésios, segunda leitura, convoca-nos para a contemplação do Mistério de Cristo, a quem o Pai colocou à sua direita nos céus, como Senhor e cabeça de tudo o que existe neste mundo e no outro. « “Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas, como cabeça de toda a Igreja, que é o seu corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.» Nesta contemplação da glória de Cristo somos também convidados a espantar-nos de assombro com o desígnio divino, com o Seu plano de salvação e com a alegria da esperança que nos foi dada em Cristo.
Acerca do trabalho que agora compete à Igreja de continuar a obra de Jesus na terra, diz a primeira leitura: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

A contemplação de Cristo glorioso, é ativa.  Não estamos ainda no céu.  Há que construir um mundo novo com esperança. Agora é preciso, com a presença do Espírito, sermos presença no mundo até que Ele venha na Sua glória.
O Evangelho relata-nos a mandato missionário segundo S. Marcos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo e quem não acreditar será condenado». Depois termina dizendo: “Eles partiram a pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam. “
Jesus fundou a Sua Igreja e comunicou-lhe o Seu Espírito, no Pentecostes, enviando-a até aos confins da terra para anunciar o Evangelho. De tal forma que a Igreja «existe para evangelizar» como disse Paulo VI e, quando não evangeliza, perde a sua identidade e envolve-se em divisões, em coisas acessórias, volta-se para si mesma, e fica sem saída. Só rejuvenesce de novo quando volta a sair para o anúncio do Evangelho.
A Ascensão está profundamente ligada ao Pentecostes. O envio missionário só é possível no acolhimento do Espírito. Uma comunidade missionária só o é, se for cheia do Espírito. A diferença entre uma comunidade cheia do Espírito Santo e uma comunidade sem abertura ao Espírito, é visível, porque naquela existe comunhão fraterna, alegria, dinamismo apostólico, , louvor jubiloso, sentido do serviço segundo os carismas que Deus dá a cada um, crescimento na caridade e no exercício do perdão mútuo, desejo de santidade. Numa comunidade adormecida ao dom do Espírito, entra-se na rotina, começam a haver divisões que não são saradas, os que servem fazem-no de modo pesaroso e na maledicência aos outros que nada fazem. Não se dá importância à oração em comum e, quando existe, é formal e pouco transformadora. Deixa de haver testemunho evangelizador e começa a viver-se só para dentro. A caridade pode transformar-se em ativismo em favor dos pobres, mas onde falta a compaixão e a misericórdia. Não existem, porém, comunidades quimicamente puras ou impuras. Cada comunidade deve estar consciente da sua fragilidade e que se agora está bem e viva, depressa pode cair no orgulho e na vaidade e perder a sua vitalidade. E a comunidade que se sente adormecida e amorfa deve ter esperança que é sempre possível que os ossos ressequidos ganhem nova vida, segundo a profecia de Ezequiel.
Continuemos a suplicar o dom do Espírito do Pentecostes.

P. Jorge