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Meditando a Palavra

Vinde Comigo e descansai um pouco

O texto de Marcos, embora bastante conciso, revela-nos muito sobre a forma como Jesus formava os discípulos e como eles iam aprendendo com o Mestre. Vamos ao texto. Estamos na continuação do evangelho de Domingo passado em que Jesus envia os Doze em missão pela primeira vez. Jesus segue oito princípios na formação dos discípulos, muitos dos quais estão presentes neste texto continuado da semana passada. 1. Seleção: Escolhe um grupo de 12 e chama-os, 2º Comunhão: Vive em total comunhão de vida com eles, 3º Consagração: Consagra-se totalmente à sua formação, 4º Transmissão: Transmite-lhes tudo o que recebeu do Pai; O dom do Espírito e todos os ensinamentos, 5º Demonstração: Primeiro faz e deixa que eles assistam e aprendam vendo-O fazer, 6º delegação: Vai-lhes delegando tarefas para se irem treinando para lhes delegar responsabilidades, 7ºsupervisão: analisa e avalia com eles o trabalho feito para que aprendam melhor e não se sintam abandonados, 8º Multiplicação: Depois do Pentecostes e do mandato missionário acontece a grande multiplicação que se estende por toda a terra e foi para isso que Jesus preparou tão bem os seus discípulos.
No texto do Domingo passado, Jesus exerce a transmissão e a delegação, transmite-lhes o seu poder de expulsar o mal e de fazer milagres, e delega neles a sua missão, enviando-os pela primeira vez a fazerem o que já lhe tinham visto fazer a Ele (demonstração). S. Marcos é bem preciso ao dizer-nos que “eles partiram e proclamaram o arrependimento, expulsaram muitos demónios, ungiam com óleo muitos doentes e curavam-nos.” Fizeram exatamente o que eles viam Jesus fazer desde o primeiro dia em que começaram a andar com Ele. S. Marcos quer dizer-nos que a missão dos Doze é exatamente a mesma que a de Jesus. O conteúdo do seu anúncio não é precisado porque assemelha-se em tudo ao de Jesus, resumido por Marcos no início do seu evangelho: «Depois que João Baptista foi morto, Jesus veio para a Galileia. Proclamava o evangelho do Reino e dizia: Cumpriu-se o tempo, O reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho (1,14-15).

Desta vez, Jesus não vai com eles para a missão, fica a orar por eles. Mas porque está a supervisionar o seu trabalho para os formar bem, à chegada deles, convida-os a irem para um lugar à parte, para repousarem e poderem contar toda a sua experiência. Jesus pretende ouvi-los fazerem a avaliação do seu trabalho e dar-lhes ainda algumas orientações importantes como faz o mestre depois que um aluno apresenta a tese. S. Lucas precisa melhor os conselhos de Jesus depois do regresso dos 72 discípulos: (Enquanto vocês partiam, eu, na oração) “via Satanás cair do céu como um relâmpago: Olhai que vos dou poder….Contudo alegrai-vos antes porque os vossos nomes estão inscritos nos céus” (Lc10,18-20). Depois destas palavras de ânimo, Jesus é invadido por uma alegria incontida e «estremece sob a ação do Espírito Santo e reza: Bendigo-te ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos…»
Jesus sabe que o plano do Pai é a salvação da humanidade pelo conhecimento e adesão ao Filho morto e ressuscitado e que isso vai depender do anúncio que for feito. Jesus vê o plano do Pai a ser iniciado embora ainda falte a realização da «Sua Hora». E isso fá-lo entrar na alegria do Espírito Santo. Quando anunciamos o Evangelho, o Espírito comunica-nos esta alegria de Jesus pois estamos a realizar o plano do Pai e não há nada mais importante do que a comunicação desta mensagem de salvação pela qual Jesus veio ao mundo e fundou a Igreja.
Até aqui Marcos emprega, quando se refere aos Doze, o termo discípulos, (os que aprendem) mas depois do envio diz: «Os apóstolos» (os enviados em missão ou missionários). Quer dizer, só nos tornamos “apóstolos- missionários”, a partir da primeira experiência missionária de envio. O Papa Francisco na Evangelii Gaudim diz que o cristão deve ser discípulo- missionário, não chega ser só uma coisa ou outra, mas sobretudo não se pode ser missionário- apóstolo se antes não se foi discípulo. Ah! se todos os cristãos fossemos discípulos e missionários! E essa é a tarefa que Jesus confiou á Igreja: «Ide e fazei discípulos» e ensinai-os até que se tornem missionários.
Curiosamente a primeira coisa que Jesus faz à chegada dos apóstolos é convidá-los a distanciarem-se da multidão para um lugar deserto onde possam descansar um pouco. Marcos aliás mostra-nos que Jesus fazia isso quando tinha dias intensos de trabalho. Jesus levantava-se de madrugada para ir para lugares desertos e aí rezava.
O discípulo-missionário, se quer dar-se a partir de Deus e com o seu poder e a sua bondade, precisa de aprender a estar com Ele, a descansar no seu coração, para conhecer a sua misericórdia para com as multidões e a retirar-se para o deserto interior para estar a sós com Deus e partilhar com Ele as suas alegrias e tristezas, sucessos e insucessos.
A Igreja tem esta grande tarefa, hoje como sempre: Formar discípulos que se vão tornando missionários. Assim cada um de nós aceite fazer-se discípulo na escola de Jesus.

P. Jorge